Quem me dera ser um desses ourives das palavras, cujas descrições tornam os campos mais verdes do que o seu próprio verde. Que vivem em si como um comboio em andamento; na prolixidade de si mesmos, na saudade paradoxal.
Desses estou a mentiras de distância e já nem sei de onde parti. Escrevo, fotografo e guardo tudo no baú das memórias, caso o tempo não sobreviva aqui. Acaso consiga, um dia, ler tudo o que não escrevi.
Rejeitado como um pária, humilhado, cuspido na cara. Submisso, febril, embriagado. Obliterado, esboroado, tolhido, avassalado.
E subitamente... Oh, perversa transformação como a do rosto de Damócles. Funesta barbárie, ratoeira-detonadora neste campo minado que é a vida.
Vive-se, contudo. Mesmo numa era sombria alicerçada na precaridade da esperança, tenho coisas para fazer; coisas inomináveis mas nem por isso menos urgentes.
Nada, nada. Aneurisma. Todo e qualquer momento pode ser o último. Deito fogo ao baú das memórias porque, acho, destrói a liberdade do esquecimento.
Sem a mínima premonição, em total ignorância, caminharei por muralhas invisíveis, por detrás das quais nada existe, nem sequer a escuridão. Perdido para as pessoas e intocável para o pecaminosamente caro tempo. E é quando temos consciência de quão curto pode ser o nosso tempo de vida, que as regras já não se aplicam, quando os nomes são apenas sombras invisíveis com que os outros nos agasalham e nós a eles.
Como relacionar o complicado pensamento analítico com a(s) certeza(s) intuitiva(s)? Em qual dos dois devemos confiar? É certo que morro; mas viverei?
A vida... Se calhar não é tanto o que vivemos mas antes o que imaginamos viver.
A imaginação... O nosso último santuário, onde nos confronta e conforta o bálsamo da desilusão.
Desses estou a mentiras de distância e já nem sei de onde parti. Escrevo, fotografo e guardo tudo no baú das memórias, caso o tempo não sobreviva aqui. Acaso consiga, um dia, ler tudo o que não escrevi.
Rejeitado como um pária, humilhado, cuspido na cara. Submisso, febril, embriagado. Obliterado, esboroado, tolhido, avassalado.
E subitamente... Oh, perversa transformação como a do rosto de Damócles. Funesta barbárie, ratoeira-detonadora neste campo minado que é a vida.
Vive-se, contudo. Mesmo numa era sombria alicerçada na precaridade da esperança, tenho coisas para fazer; coisas inomináveis mas nem por isso menos urgentes.
Nada, nada. Aneurisma. Todo e qualquer momento pode ser o último. Deito fogo ao baú das memórias porque, acho, destrói a liberdade do esquecimento.
Sem a mínima premonição, em total ignorância, caminharei por muralhas invisíveis, por detrás das quais nada existe, nem sequer a escuridão. Perdido para as pessoas e intocável para o pecaminosamente caro tempo. E é quando temos consciência de quão curto pode ser o nosso tempo de vida, que as regras já não se aplicam, quando os nomes são apenas sombras invisíveis com que os outros nos agasalham e nós a eles.
Como relacionar o complicado pensamento analítico com a(s) certeza(s) intuitiva(s)? Em qual dos dois devemos confiar? É certo que morro; mas viverei?
A vida... Se calhar não é tanto o que vivemos mas antes o que imaginamos viver.
A imaginação... O nosso último santuário, onde nos confronta e conforta o bálsamo da desilusão.